quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O Governo Dilma Sem Maiores Detalhes

     Entra em momento especial para o Brasil, após quase duas décadas de notável prosperidade econômica, o governo de Dilma Rousseff vem acompanhado de uma das maiores crises financeiras da contemporaneidade. No entanto, devido a essa tal prosperidade, uma pequena blindagem foi de fato sentida, no tocante aos efeitos de tal crise no mercado nacional, mesmo porque, a própria economia interna foi o principal agente inibidor. Conciliando mercado externo fraco com protecionismo das indústrias nacionais, gerou-se alta no consumo e por esse motivo, alta na inflação.

     Dilma dá seguimento às políticas econômicas do governo Lula, a saída de Henrique Meirelles da presidência do Banco Central, para em seu lugar entrar o ex-diretor do próprio banco, Alexandre Tombini, deu-se pelo desejo do próprio Lula, de ver Meirelles como vice de Dilma nas eleições de 2010. Porém, o PMDB indicou Michel Temer. Em concordância com o perfil do governo anterior, manteve o ministro da fazenda Guido Mantega, o mesmo que teve que tomar por vezes medidas “desesperadas” para conter a desvalorização do real, injetando dólar no mercado nacional, evidenciando o termo de sua própria autoria a agora famosa “Guerra Cambial”.

     Devido a necessidades externas, pois para conter a inflação no início do governo, que estava cotada em 6,30% no acumulado, portanto acima de meta para 2011 (4,5%), o governo Dilma, começa com aumento da taxa selic em duas vezes de 0,25 ponto. Elevando a taxa para 12,50%. Entretanto, notando os efeitos que a crise financeira das economias européias e dos Estados Unidos fariam, o Copom resolve baixar a taxa selic para 12%, surpreendendo o mercado nacional, e gerando críticas quanto à independência do setor monetário. Chegou-se a dizer que houve interferência política na decisão de diminuir a taxa de juros. De fato, em declarações à imprensa, a presidente fez incentivos ao consumo, e possível corte na taxa selic para que dessa forma, fosse garantido um fortalecimento das indústrias nacionais.

     Em Fevereiro, o governo fez um reajuste no salário mínimo de R$ 510 para R$ 545, abaixo do índice de inflação registrado no ano, em torno de 6,50% no acumulado. Embora tenha negado em campanha que faria cortes, Dilma optou por fazer um corte de R$50 bilhões no Orçamento Federal, porém, esses reajustes mantiveram-se  em  cortar investimentos, e não despesas públicas, que pelo contrário, aumentaram. Com a repentina volta do IPI sobre automóveis importados, o governo recebeu duras críticas, por exagerar no protecionismo de um setor já bastante protegido que são as indústrias nacionais de automóveis, como disse Miriam Leitão.

     É notável a política fiscal do governo de Dilma Rousseff, a contenção nos gastos, que ocorre de forma branda, mas ocorre, deve-se em parte ao governo anterior na promoção de gastos exagerados, que em ano de crise, poderiam comprometer muito do que está sendo feito para suavizar os impactos da crise da zona do euro.

    Certamente o fato mais marcante no atual governo do ano de 2011, foi a impressionante troca de ministros. Parece que o ano será fechado na conta da queda de sete ministros, dentre os quais, seis deles saíram do cargo por denúncias de corrupção, mesmo antes da reforma ministerial que será feita em 2012, já houve uma troca intensa de chefes dos ministérios, que por vezes, fortaleceram a imagem da presidente, que fez questão de transparecer a caráter punitivo de quem não andasse na linha.
     Ocorre que mesmo com a freqüente troca de ministros, não param as acusações e suspeitos, o atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, está sendo questionado por atividades como consultor.  Fora de acusações, mas também pretende sair nas próximas semanas, Fernando Haddad, o ministro da educação desde a era Lula, está certo como candidato para a prefeitura de São Paulo em 2012, e por esse motivo, deve deixar a pasta, em seu lugar o próprio ministro já espera para que o substituto seja indicado. Espera-se que em breve a indicação seja feita pelo PT (dono da pasta).

     A primeira mulher eleita no cargo mais importante no Brasil, em seu primeiro ano como presidente, teve que enfrentar a volatilidade do mercado externo, implicando em medidas, muitas delas de forma repentina, na economia nacional. Escândalos de corrupção com uma quantidade recorde de ministros, a ainda comparação entre ela e o ex-presidente Lula, sem contar da grande expectativa gerada por todos os setores da sociedade, para conhecer os mecanismos do governo de uma presidente, num ano marcante para o Brasil, no que se refere, sobretudo, ao cenário mundial da economia política.

     Neste primeiro ano de governo, Dilma adotou uma postura intermediária no que tange à política externa. Evitando qualquer conflito mesmo com a Síria, que sofreu e ainda sofre diversas sanções, pela falta de providências quanto ao conflito interno, aumentando a cada momento o número de mortos. Entende-se que é muito cedo para dizer como será este governo até seu final. Porém, nota-se tendências um pouco distinta das quais se conheceu no governo Lula, exceto as políticas de assistencialismo que tendem a aumentar, para que continue o efeito no inchaço da classe média (isto é, mais gente saindo de classes inferiores e ingressando na classe média do Brasil, a classe com o maior poder de compra, no sentido quantitativo e, principal setor que faz manutenção do mercado interno)

     Espera-se que após a reforma ministerial, onde alguns ministros ainda do governo do Lula, devem sair, as comparações diminuam um pouco. Embora no terceiro trimestre o crescimento do Brasil tenha sido zero, no fim de 2012 a expectativa é de o desempenho do Brasil na economia seja melhor do que em 2011. As pequenas e médias empresas certamente darão impulso à volta no crescimento. As eleições municipais servirão como termômetro e antes disso, a avaliação do governo Dilma já esteve acima da que foi dada a Lula. Desde já, certo mesmo são os gastos com a Copa de 2014, evento que pode influenciar na reeleição de Dilma, caso seja candidata novamente.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O Caráter Político do Imaginário Militar no Brasil


     Mesmo muito antes do golpe de 64, os militares já mostravam à sociedade, sua força. Na revolução de 30, essa perspectiva ficou às claras. Nesse episódio e, a partir daí, o exército brasileiro e sua alta cúpula não agiria sem o apoio necessário, que garantisse sua posição no país. 
     Visto porque, os militares estão interferindo na política e, desse modo, se faz necessário que outras classes os apóiem, por isso, parcelas da sociedade deram seu apoio. Como diz Evaldo Sintoni no livro, Em busca do inimigo perdido: construção da democracia e imaginário militar no Brasil (1930-1964): “Mas os militares, quando intervieram na ordem política, intervieram com o apoio claro das elites civis.” (pág.45)

     Ainda segundo Evaldo Sintoni, a partir da diversidade social do Brasil, e numa perspectiva exatamente inversa da política elitista, a cúpula do grupo dos militares começa sua caminhada. Tomando conhecimento disto, passa então a protestar contra os problemas do país, afim de que dessa forma, tomasse o apoio da opinião pública. Formando uma imagem de jovens defensores do progresso nacional, que defendiam medidas sociais através de decretos, em coerência com a linha ideológica militar.

     O imaginário militar que findará mais tarde na ditadura brasileira, começa bem antes da queda de João Goulart. A forma como os militares dão inicio a ideologização do grupo militar de caráter político, se dá no processo de levar em questão, a realidade vigente do país. No tocante a atuação de algumas das instituições que eram assim formadas por militares. Infiltrando na sociedade, ideias que dariam à mesma a possibilidade de estágios elevados de desenvolvimento. A forma como essas instituições discutiam tais problemas, a importância com que esses eram conduzidos, fez com que tais debates se espalhassem por outros setores da sociedade, não menos organizados. De sindicatos, passando por universidades até partidos políticos.  A ideia de que as forças armadas poderiam conduzir o país, era intensificada na Escola Superior de Guerra.


     Desde Getúlio, a força militar expressava-se de forma concreta. Mesmo porque, o nacionalismo de Getúlio Vargas era frequentemente criticado, diziam eles que o nacionalismo seria semelhante ao comunismo. A interferência militar era sentida por Vargas em questões mesmo de caráter político, no que diz Sintoni. “Vimos que Getúlio Vargas solicitou o aval do Exército para se lançar candidato e, uma vez eleito, teve a sua posse garantida por generais (Estillac Leal, Góes Monteiro, Zenóbio da Costa e, até mesmo, Eurico Gaspar Dutra).” Porém, isso não significa que todo o Exército estivesse apoiando Vargas, mas uma parcela dele, com sempre foram suas atividades em meios aos interesses da sociedade civil, em setores diversos, pois os interesses das próprias forças armadas eram heterogêneos.

     Em 64 a crise permanece, posto que o governo João Goulart não conseguisse mais controlar a inflação e, políticos de um modo geral, que queriam Goulart no poder até o fim (pois se desejava que o poderio político se mantivesse através do sistema democrático, para assim, articular-se um domínio político), não mais desejavam a permanecia do governo, pois os mesmos tomam uma posição contrária e querem a saída de Goulart. Então, com problemas inflacionários, as pressões sociais (que se incitam a tal pressão, geralmente por conta da condição em que vivem no momento, por insatisfação na vida econômica) e por pressão política, começa a ficar evidente a queda de Goulart e a força militar, que chega ao poder da forma mais eficiente, com o apoio popular. É o início da ditadura no Brasil.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A Origem "Antológica" da Crise Financeira

     Estamos em 1989, Leste Europeu, começa a cair por terra a famosa economia estadista, sistema ditatorial, o Estado sufoca o trabalhador de uma forma fundamentalmente distinta do que foi proposto por Karl Marx e Friedrich Engels. Era o fim do socialismo real, denominado na época pelo americano Francis Fukuyama, como “o fim da história”.
     Estamos em 2011, o planeta “caminha pisando em ovos”, a crise financeira de proporções mundiais, em curto prazo, é justificada mediante uma crise imobiliária ocorrida em 2008 e 2009 nos Estados Unidos, denominada por uma parcela de analistas como uma “pré-crise”, haja vista o mercado ser amplamente interligado, contaminando bancos e governos, como uma doença viral que se espalha sem remédios combativos para sanar o problema.

     A política de vitória do regime capitalista diante do fim do socialismo real implantou um entusiasmo amplamente difundido no mundo, no início da década de 90, fazendo com que os entusiastas do liberalismo econômico deixassem de lado o que realmente significava o fracasso da economia estadista.  

     Em seu livro “O Colapso da Modernização” Robert Kurz lembra que a suposta derrota de economia adotada pela União Soviética e boa pare do Leste Europeu, simbolizava mais um capítulo para o já de certo modo decadente capitalismo, mesmo porque, na década de 80, países de Terceiro Mundo, viveram um dos episódios mais escuros da economia mundial, a chamada “década perdida” na América Latina, serve como efeito comparativo hoje para a crise vivida pela Europa, Estados Unidos, e outras regiões do globo, posto tamanha é a crise que se vive neste momento.

     De fato, alguns líderes já colocam esta, como a pior crise da história, porque será sentida por muitos anos, certamente.  Embora se tenha cultivado um distanciamento extremo entre os pólos do capitalismo e socialismo, Kurz defende que os dois regimes baseiam-se sob o mesmo aspecto, o trabalho.

     Portanto, o autor expõe a premissa de que com o socialismo extinto, o “oba-oba” dos defensores do liberalismo ajudados pela ciência evoluindo no ritmo dos mercados, trabalhou antologicamente para a queda do próprio regime de liberdade comercial, no sentido de que o relógio mercadológico impõe uma corrida pela mercadoria pronta com a menor contribuição de trabalhadores possíveis, logo, à medida que as forças produtivas mediante à industrialização e cientificização rompem a relação social de trabalho, a relação de compra perde força. Ora, sem trabalho, sem renda, sem consumo, sem escassez de mercadoria, sem a lógica mercadológica.

(...) é muito provável que o mundo burguês do dinheiro total e da mercadoria moderna, cuja lógica constituiu com dinâmica crescente a chamada Era Moderna, entrará já antes de terminar o século XX, numa era das trevas, do caos e da decadência das estruturas sociais, tal como jamais existiu na história do mundo (...) (O Colapso da Modernização, pág. 207)

     O fim do socialismo real significou em parte, não uma vitória do regime capitalista propriamente dito, mas a aceleração para o reconhecimento de ilegitimidade funcional do próprio sistema supostamente vencedor, montando uma perspectiva de que todo o mundo precisaria interligar seus pontos num único sistema, forte, mas ao mesmo inseguro, por agir de forma positiva e negativa atingindo todos os setores do sistema.  

     Há de se convir que a economia estadista não surja com o socialismo extinto no Leste Europeu, que seu mal ou bem estejam necessariamente atrelados a esse episódio, ao mesmo, essa tendência ditatorial surge diferente dos primórdios da economia de Estado. Em períodos antigos, reis, utilizavam-se da economia como amparo para a manutenção do exército e de despesas reais. Mas a economia planificada, que fez surgir a revolta do proletariado, fez com que esse, agisse inconscientemente para sua própria extinção como força ativa amplamente diminuída na produção da mercadoria dentro da sociedade de trabalho.

     O sistema capitalista é um complexo de informações que funcionam como um quebra-cabeça, uma peça errada forma a distorção da imagem. Num turbilhão de incertezas, de “pânico especulativo” neste momento,a única certeza que se tem, provem da necessária reforma funcional, de políticas públicas não tão liberais. Esta proposta não significa o retrocesso em meio ao progresso, mas sim a solução viável diante da década perdida do século XXI.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O Povo Brasileiro em 3 versões

     Com uma visão um tanto otimista sobre o processo de modelagem chamado por Darcy Ribeiro como “neobrasileiro”, tanto ele que como Sérgio Buarque de Holanda, aponta se não todos, mas quase a totalidade dos aspectos que explicam o bolo resultado da íntima relação entre as raças. A famosa mestiçagem longamente descrita pelos dois autores chega numa perspectiva otimista, mas ao mesmo tempo, de certo modo, sem uma definição clara do que é o povo brasileiro. Mas que sim, uma mistura tão íntima que se torna impossível dividir claramente parcelas de gêneros.

      Há de se perceber a importância dos primeiros contatos entre índios, negros e portugueses, assim como todo o processo posterior da mistura entre esses povos. Em seu livro, Raízes do Brasil, capítulo 2. Sérgio Buarque de Holanda propõe que um fator fundamental para que os portugueses adotassem relações diretas com os índios, deve-se à sua fraca identidade, ao pouco orgulho racial destes. Diferente dos holandeses, por exemplo.

     Darcy Ribeiro coloca a figura da índia, a figura da mulher mais importante no processo de mestiçagem, pois a partir das relações com os portugueses e com os negros, que começaram a surgir os brasileiros como povo híbrido, havendo neste momento, uma predominância do índio sobre o branco, conferida nesses “neobrasileiros”. Embora se defenda a cordialidade do brasileiro, Darcy Ribeiro expõe uma retrospectiva de conflitos que divergem em certo modo de tal premissa, sinalizando estes de caráter étnicos, sociais, religiosos, econômicos e raciais, iniciando pela Cabanagem chegando a Canudos e prossegue ao longo da história.

     Já Sérgio Buarque de Holanda, começa o capítulo 2, (pág. 44) fazendo uma clara distinção entre o aventureiro e o trabalhador, colocando a partir desta ótica, a figura do colonizador aventureiro, que propondo a adaptar-se ao meio, sem precisar de maiores esforços, apenas se alinhou às condições que a terra oferecia, contribuindo direta e ou indiretamente para o atraso do desenvolvimento da colônia. Como na passagem: “Onde lhes faltasse o pão de trigo, aprendiam a comer o da terra, e com tal requinte que – afirmava Gabriel Soares – a gente de tratamento só consumia farinha de mandioca fresca, feita no dia.”

     Ribeiro, diz que o Brasil é economicamente falando, resultado da ação de quatro gêneros empresariais, embora o principal deles seja a empresa de cunho escravista, exatamente pelo sucesso da efetividade em latifúndios. Holanda concorda no sentido de atribuir à grandiosa quantidade de terra, o sucesso da monocultura da cana-de-açúcar, colocando o insucesso no emprego da mão-de-obra indígena, mas que deu certo com a africana, compreendo este formato agrícola, a unidade de produção, explicitando a dificuldade no uso do arado por conta da floresta mais densa, diferente da floresta na Europa, por exemplo.

     Aliando-se as tais perspectivas, Otto Alcides coloca que a monocultura no Brasil se deu com a implantação do regime da sesmaria, que de fato não obteve sucesso, surgindo em seu lugar verdadeiros latifúndios. Ainda segundo o autor, desenvolveu-se uma tímida produção agrícola de subsistência, responsável em parte, ao crescimento demográfico, de modo que encontra-se nesse tipo de cultura uma manutenção dos privilégios dos latifundiários,  mantendo dessa forma, uma organização social de subordinação.

     Enquanto Otto afirmava que as pequenas lavouras eram mantidas por colonos pobres, mestiços, índios “civilizados”, Buarque expõe que o negro era elemento primordial para o desenvolvimento do latifúndio colonial. Otto coloca ainda que as relações sociais baseadas na produção caracterizavam-se da seguinte forma: semi-escravistas no trabalho de extração na floresta, camponês na pequena lavoura, escravista na monocultura e escravista e de assalariamento na pecuária.

     Ainda de acordo com Otto, os primeiros passos para a estruturação da sociedade brasileira é justificada através do aspecto econômico que de longe sempre foi a maior aspiração do Estado português. A base social compreendida por escravos em contraponto com a outra ponta superior composta pelos senhores donos de grandes propriedades rurais, foi o formato social que garantiu o Brasil como unidade de produção agroexportadora. No entanto, esta organização começou a sofrer com abalos com divergências entre a colônia e o Estado português, que não mais pode permanecer fiel ao pacto colonial, frente à revolução industrial da Inglaterra.

     Em continuidade, o autor diz que o modo capitalista, fez com que o escravismo fosse substituído pelo assalariado. Onde ocorre uma transformação estrutural na sociedade de então, que antes passou da antiga classe cafeeira para a burguesia agrária. Mas que a burguesia comercial só concretizou-se com a abertura dos portos. Já Darcy Ribeiro cita que portos foram criados para a exportação da borracha, por exemplo, isto é, fatores econômicos agiram diretamente para as transformações no aperfeiçoamento de todo o mapa social do Brasil.

     Embora lembrando que os holandeses enriqueceram Recife, Darcy Ribeiro atenta-se para o resto do país, onde a urbanização foi influenciada pela abolição, pelo desemprego na Europa, que fez com que em torno de 7 milhões de europeus imigrassem para o Brasil, atribuindo a esses, o surto da industrialização e contabilizando posteriormente o contingente urbano que crescia de forma acelerada. 

     Buarque de Holanda intensifica a idéia de urbanização fazendo uma distinção entre o processo colonizador dos holandeses em Pernambuco e dos portugueses no resto do Brasil.
 “Ao passo que em todo o resto do Brasil as cidades continuavam simples e pobres dependências dos domínios rurais, a metrópole pernambucana vivia por si. (pág. 63)”

     Sérgio Buarque de Holanda, Darcy Ribeiro e Otto Alcides Ohlwiler, fazem um apurado do conjunto social nacional, desde seu nascimento entre a interação de raças, até a urbanização e a organização mais recente, ganhando força, sobretudo, fatores econômicos, montando e adicionando corpo à estrutura social, hoje amplamente reconhecida por seu fator determinante e mais relevante, a hibridização do componente social brasileiro.


domingo, 23 de outubro de 2011

Viver em Rede no Século 21

    Talvez os agentes promovedores dos avanços na esfera tecnológica, não soubessem claramente a ponta exata em que fosse findar seus projetos. Talvez nem mesmo fosse essa realidade o anseio idealizado. Ocorre que uma vasta parcela de todo avanço destina-se direta ou indiretamente para fins mercadológicos, e por isso, ao invés de se enquadrar em valas sociais, acaba por a própria sociedade alinhar-se às novidades.

    A internet por si só, surge como o elemento de maior força democrática até então. Rádio e TV, estes possuem um maior alcance, evidentemente – contudo, há de se conceber que a internet como única ferramenta, permite uma direta participação do usuário. Eis o segredo de tamanha popularidade, eis a razão por se dizer democrática. Estar conectado é consumir diretamente a globalização, é ser o indígena da aldeia global, é antes de tudo, mostrar para todo o mundo, o seu mundo.

    A democracia está no sentido de que todos em que nela estejam, dela possam participar – mas para além disso, influir na migração da democracia para o campo concreto. Talvez os pioneiros da internet não tivessem pensado, e provavelmente não pensaram que esta seria a ferramenta que ditasse o ritmo de setores fundamentais no mundo inteiro, talvez nem imaginassem que um avanço tecnológico derrubasse governos totalitaristas chumbados em suas convicções e poderio ditatorial.

    Viver online neste momento é viver a agenda pública e melhor do que isso é fazê-la. Provavelmente todo o fascínio que produz o despertar do interesse em estar conectado, seja a ideia de contribuir com os fatos, com a opinião, com a formação de uma gigantesca plataforma de informações. A internet, sobretudo nesta era, cumpre com o papel de ser o promovedor de alguns anseios explícitos na Declaração Universal dos Direitos Humanos do Homem.


Artigo 19°: Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão.


    Viver em rede, neste momento é contribuir com mudanças em todos os aspectos, é direcionar toda a sociedade para o caminho intercultural, é apurar e difundir diversidade, é fazer da democratização da informação, o determinante de hábitos e comportamentos coletivos, é expandir ideias, é pensar o mundo, mas não só no mundo. É encurtar distâncias, é viver de fato e, não apenas existir.





quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A Raiz da Violência que Migra

     O mapa psicológico e mesmo real da violência no país, comumente baseava-se no Sudeste, São Paulo e Rio de Janeiro, sobretudo. A urbanização desprovida de organização garante alguns dos aspectos contribuintes da violência urbana.  

     Dados mostram que em 1999, a taxa de homicídios em São Paulo era de 64 mortos para cada 100 mil paulistanos, contudo, registrou-se uma queda em mais de 85%, esses resultados deve-se obviamente a adoção de políticas públicas, tais como: Uma manutenção no aparelho policial, a proibição da venda de bebidas, seguida do fechamento de bares em determinados horários, assim como a alta geração de empregos que por sua vez, reduz a mão-de-obra para a criminalidade. Na última década, o Brasil gerou cerca de 11 milhões de empregos com carteira assinada, mais pessoas trabalhando, menos agentes do crime.

      O que parece ser recebido com certo espanto são os índices recentes que medem a violência especialmente no Norte e Nordeste do país, entende-se por vezes de forma equivocada essa migração regida de forma um tanto acelerada. E por falar em Nordeste, dois estados estão especialmente em destaque: Alagoas e Bahia, os campões no ranking da taxa de homicídios. De acordo com José Maria Nóbrega, professor da Universidade Federal da Paraíba, os índices de violência do Sudeste reduziram em média em 47%, enquanto que no Nordeste os índices dobraram.

     Diante das perspectivas negativas, surgem diversas reações apaixonadas sobre o ponto de vista político, que visam antes de qualquer indagação, justificar a problemática atribuindo a um ou outro governante, especialmente quando se trata de Alagoas, há obviamente uma carência no sentido de se adotar políticas públicas que de fato combatam os agentes da violência urbana, contudo, a raiz de maior predominância é outra.

     Durante o governo Lula, o Nordeste foi beneficiado com programas voltados para o assistencialismo. O “Bolsa Família”, age na transferência de renda para a população extremamente pobre da região. Portanto, cresce no Nordeste crimes relacionados às drogas, que envolve diretamente o chamado “mercado negro” e homicídios. O fato é que os traficantes buscam novos mercados, mais viáveis e, quanto a isso, o Brasil vive um boom econômico, onde segundo o Economista Ricardo Amorim, o Norte e o Nordeste são as regiões que mais crescem nesse momento, devido à política de assistencialismo e ao crescimento espantoso do agronegócio, atraindo migrações de toda espécie.

     Portanto, o levante econômico faz com que num certo momento, o tráfico de drogas seja atingido positivamente e junto com ele, as mortes fatais que estão diretamente relacionadas. Os traficantes que aqui se instalam praticam violentamente a concorrência contra outros traficantes, contribuindo a ação destes para as estatísticas. Não só a questão econômica, mas principalmente, agiu para que a violência no Nordeste brasileiro tomasse tais proporções, não há estrutura urbana e social para que receba tal crescimento de forma que a violência seja contida, será uma questão bastante problemática.  

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Resposta a tal de Heloísa Helena


As Frutas Representativas

                      "A demagogia é a capacidade de vestir
                      as idéias menores com as palavras maiores."
                                                                   Abraham Lincoln


Costumeiramente e, sobretudo na política, os espetáculos sempre são eventos garantidos. Que dirá Otávio Augusto, o então imperador de Roma, vendo a problemática social crescendo de forma assustadora, por conta da escravidão e desemprego no campo, resolve adotar medidas que como diria John Kenneth Galbraith em “Anatomia do Poder”, um dos poderes mais fácil de ser colocado chama-se poder compensatório, aquele em que em troca de alguma recompensa, você é determinado a fazer o que outro deseja para seu próprio proveito. Vendo a viabilidade dessa corrente, o hábil imperador, apoiado por autoridades do império romano, coloca a famosa política de pão e circo, que não se trata só de uma legítima forma de “compensar” o povo por suas insatisfações, mas para, além disso, causar certa amnésia, posto que o pãozinho gratuito combinado ao verdadeiro show de gladiadores fazia com que, sobretudo os pobres, deixassem os problemas de lado. No Brasil, ela atende pelo nome de Bolsa Família e, por falar em Brasil, se tem uma coisa que aqui produzimos no sistema fordista (produção em massa), essa se chama político, temos tantos, que se matarem todos os políticos na China, por conta da corrupção, podemos tranquilamente exportá-los no formato de commodities, assim como fazemos com a soja, é de causar inveja a qualquer país. Não que eles sejam de todo o mal, longe disso, muitos deles são importantíssimos e  fazem um ótimo trabalho, além do mais, que chorem os anarquistas, mas não há como se garantir Ordem e Progresso, sem a presença da categoria, mesmo porque, este último para ser concretizado, dependente necessariamente do primeiro, da Ordem. Porém, como as frutas, que por eventos geralmente externos, diferenciam-se de outras, exatamente no quesito qualidade, nas assembléias pelo mundo, não se espante se encontrar frutas boas e frutas podres, que imediatamente são repudiadas por nossos olhos. Mas é preciso ter cuidado com as goiabas, por exemplo, algumas só se conhecem o “monstrinho” que elas guardam, depois da primeira mordida, a mordida do conhecimento, talvez da prudência. Todavia, muitos, encantados pela aparência e cheiro acabam engolindo o monstrinho, por incontáveis vezes. As goiabas, assim como alguns políticos, utilizam algum artifício para lançar seu encanto, nem que seja por alguns instantes, já é de extrema valia encantar, mesmo que seja breve. Eles, que assim como as goiabas sem serventia, tentam, e muitos conseguem, iludir com acessórios de sua natureza, aos que são providos de uma determinada inocência, cuja causa costumeiramente é decorrente da instrução adormecida. Porém, não julguemos as goiabas, elas não falam, os políticos falam, falam tanto, que alguns transformam seus discursos numa única categoria, a famosa demagogia, que na verdade não passa de um conjunto de falácias, idéias compradas na loja “Fantasia”. Tudo isso faz parte do espetáculo, descrito pelo francês Guy Debord em “A sociedade do espetáculo” onde ele diz que a alienação é mais do que um aspecto psicológico ou descrição emocional, está imposto aí a condição social, sobretudo. Portanto, alguns que se dizem discípulos da justiça social, através da política, praticam diariamente a demagogia, utilizam-se de discursos pré-históricos, de cunho pseudo-comunista, cheios de loucuras e divergências a tudo e a todos, para encantar os que não deram a mordida da prudência/conhecimento, isto é, os fanáticos, que por vezes não são convictos de suas idéias. Determinadas figuras, desprovidas de oferecer algum benefício, contrariando a essência de sua função, utilizam-se da retórica para fazer apelações emocionais para ganhar o apoio popular, e dessa forma se manter entre as frutas boas. Mas é bem verdade, que o uso da demagogia, idéia política baseada em argumentos de vidro, não permanece por muito tempo. No século XIX Abraham Lincoln já dizia: "Pode-se enganar algumas pessoas todo o tempo; Pode-se enganar todas as pessoas algum tempo; Mas não se pode enganar todas as pessoas o tempo todo. Em outras palavras, deve chegar um momento em que as cortinas caem, o espetáculo é desmontado, o ator volta à sua face real e a fruta, essa entra em rápida decomposição. Tudo resultado de uma política fraca, sem argumentos, sem verdades, sem ações concretas que visem de fato o bem coletivo.  Esse tipo de político, quando é questionado simplesmente responde com adjetivos/classificações que mais parecem nascer de mente pequena e, sobretudo, tola.
Que ninguém se engane, as frutas podres têm um destino certo: A rápida decomposição no lixo, na presença de ratos e baratas, enquanto que as boas alimentam quem tem fome. Portanto, se tens posições, coloque-as verdadeiramente, pois assim, mesmo que seja contrário aos outros, será digno de defender o que convêm seu entendimento, mas não faça como alguns que escondem as garras por trás da tribuna, esses que chorem pela vergonha de serem podres e, por esse motivo, desprezíveis.


Breve Observação

Na condição de cidadã, eleitora ou qualquer outra categoria que caiba colocar: Estou atenta a tudo e a todos. Acompanhando especialmente atividades realizadas por políticos do Estado. Portanto, que fique claro minha função, fiscalizar. Acrescento que numa sessão na Câmara Municipal de Maceió, a então vereadora por nossa capital, Heloísa Helena (PSOL) confirmou que votou a favor do aumento de salário dos vereadores , contrariando assim a resposta que recebi via Twitter, diga-se de passagem. Porém, a vereadora disse que votou sem ter prestado a devida atenção. Ora, nobre vereadora, você é paga para no mínimo cumprir sua função, se você que é vereadora não tem compromisso para com uma decisão que implicará exatamente em mais gastos para os cofres públicos, incluindo evidentemente, aqueles que votaram em você, por que então a senhora ocupa a cadeira? Por que esbraveja tanto quando o assunto é gasto, se na prática não dá a mínima importância para algo de tanta relevância? Francamente, fico descrente com tanta falta de compromisso por parte de alguns políticos, mas para, além disso. Justificativas de gelo, quando expostas, se desmancham com uma facilidade impressionante e, antes de atestar qualquer falta de compromisso, lembre-se: O local chama-se Casa de Mário Guimarães, mas não, Cirque Du Soleil.  E a propósito, ainda farei muitos questionamentos, esse é só o primeiro.




OBS: Portanto, em unanimidade, NENHUM VEREADOR FOI CONTRA AO AUMENTO DE SALÁRIO.


Do mesmo modo que Jornalismo bom é o que fala a verdade, político bom é o que no mínimo coloca suas verdadeiras posições, porque esbravejar loucuras, qualquer  idiota sabe.