domingo, 31 de julho de 2011

Porque os pernambucanos exaltam tanto sua cultura, diferente dos alagoanos.

Em entrevista cedida pelo professor Bruno César Cavalcanti, a partir de um ângulo cultural, é possível entender em parte, essa distinção identitária.


1.      Professor Bruno, segundo alguns estudiosos, o folclore alagoano está entre os mais diversificados do Brasil, se não o mais, diante disso de que forma pode-se dizer que o folclore de Alagoas influi sobre outros segmentos culturais?
Há uma pretensão entre nós de falarmos com um certo orgulho dessa diversidade de expressões folclóricas em Alagoas, é um bom marketing que costumamos fazer de nossos territórios. Mas ele é grandemente mistificador porque isso foi de fato afirmado durante um congresso folclórico brasileiro que ocorreu aqui, salvo em engano em 1951 ou 1952. isso foi afirmado por folcloristas nacionais, particularmente por Renato Almeida e Tomas Cascudo, eles fizeram referências positivas à variedade do folclore alagoano, é um fato que existe essa diversidade bastante acentuada, em primeiro lugar isso decorre da nossa ruralidade, alagoas permaneceu sendo um Estado organizado em torno de um modelo de produção econômica de base rural, como é o caso da cana e açúcar. Essa presença rural deu uma parcela de importância grande nessa diversidade, as populações viviam em fazendas, viviam isoladas, eram levadas elas próprias a buscar suas formas próprias de entretenimento, é possível que isto esteja na base dessa diversidade, mais do que uma característica intrínseca. Deveríamos pensar também, qual é de fato a interferência que possa existir dentro de segmentos culturais locais, eu diria que essa influência poderia ser maior, mas ela não é por conta da nossa fragilidade em termos de identidade cultural, por exemplo, a cultura popular joga um papel muito grande na definição da cultura pernambucana, não é sem razão que a gente teve um movimento como o Manguebeat em Recife, que gerou uma tremenda influência da cultura pop internacional sobre as gerações da era do computador, uma geração marcada por uma cultura pop, mas que foi criada foi sociabilizada dentro de um quadro de pressão identitária muito grande, ou seja, o Manguebeat deu vazão por um certo sentido a uma demanda reprimida por uma cultura internacional eletrônica assentada no rock e por outro lado ela prestar contas com as tradições  locais, aos ritos populares como apoxé, maracatu, a música popular pernambucana,então o mangue é uma hibridização possível dentro dessa pressão em manter-se fiel à uma linha de continuidade popular, aqui essa linha de continuidade não é exigida, não há essa pressão, os grupos populares  não tem essa capacidade porque eles não foram abraçados pela nossa elite econômica e política, as pessoas não gostam das coisas populares daqui. Os folcloristas decantam muito a cultura popular tradicional de Alagoas, mas isso não se traduz na realidade, um jovem recifense está muito mais linkado com um mestre de cultura populares, enquanto que em Alagoas há um esforço divisor entre essas gerações de jovens que se expressam, e a base popular, artística, porque são segmentos que não se tocam.

OBS: Primeira parte.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

China: O Dragão Supremo


 Ele é grande, o maior país da Ásia Oriental, ele se define como a República Socialista comandada por um Partido Comunista, ao mesmo que seu lado Capitalista grita como um poderoso alto-falante, posto que sua colocação como vice-campeã no ranking das maiores economias do planeta, confirma isso. Para, além disso, o economista chinês, Qian Yingyi, acredita que em pelo menos 16 anos, sua medalha será de ouro, superando assim os Estados Unidos. Ele é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, além de participar ativamente dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China).
O dragão asiático parece estar ganhando o mundo. Em sua fundação em 1949, a República Popular da China adotava uma política econômica muito semelhante à soviética, a chamada economia planificada, mas então Mao Tse-tung  com sua morte, possibilitou algumas reformas na política econômica de seu país. A partir de então, começou sua corrida para o crescimento, e hoje ele chega à quase 10%, muito a frente de tantos outros como Brasil e Estados Unidos. Em meio às crises mais marcantes, em especial neste ano, a China parece um dragão supremo, que não para de demonstrar sua esticada para o alto.
Contudo, um dragão que cresce rapidamente, além de constantes atividades, pode gerar o temido superaquecimento da economia, produzindo bolhas interligadas. Porém, como um dragão inteligente, que parece ter aprendido com a crise imobiliária de 2009 dos Estados Unidos, suas táticas parecem interessantes, visto que suas exportações notadamente expressivas,  entusiasmam sua indústria alimentada pelas commodities brasileiras.
Talvez, para os próximos anos, o maior desafio para a China, seja exatamente mudar muito do que compõe seu atual cenário social, sua população ainda vive numa miséria gigantesca, a distribuição de renda é caótica, a maioria ainda vive em área rural, e, diga-se de passagem, é muita gente. Há quem diga que o país precisa adotar outro modelo de crescimento antes que ele não surta mais efeito. Há quem diga que há muitos problemas culturais que devem se adequar ao tempo em que se vive. Para efeito de exemplo, a China é o país onde mais se aplica pena de morte no mundo. Mas não se pode esquecer-se de pensar a relação da China com os atuais emergentes. Países que assim como ela, crescem de forma expressiva, como a Índia. Temos outro exemplo em casa, o maior parceiro do Brasil no mercado mundial é a China, que compra suas mercadorias de base para depois devolvê-las no formato de produtos prontos, porém, não esqueçamos de que além de parceiro do Brasil, o dragão asiático também é concorrente. Assim como atraiu o Brasil, a China anda atraindo capital estrangeiro, multinacionais, e até mesmo os próprios executivos, todos querem tirar uma casquinha da mão-de-obra barata e do incrível número de consumidores. O gigante do pastel pequeno dá uma lição ao mundo, todo o fogo que sai da boca do dragão representa a força do seu Produto Interno Bruto, queimando alguns europeus e norte-americanos, o maior PIB do planeta está nas etiquetas que você frequentemente vê “Made In China”, o maior PIB do planeta parece que fala o mandarim.






terça-feira, 19 de julho de 2011

A PM do papel: Surge uma nova modalidade na segurança pública


Segurança Pública: Um sistema integrado e otimizado envolvendo instrumento de prevenção, coação, justiça, defesa dos direitos, saúde e social.

     Não há como tirá-la da agenda pública, é quase impossível uma edição de jornal e principalmente telejornal, não conter a segurança pública em seu corpo de notícias. Eis o problema que sempre avança, talvez o que mais incomoda, o que muda hábitos, o que pressiona toda a sociedade. Porém poderia dizer que a segurança pública não é problema, que adversidade mesmo, encontra-se na violência, sobretudo urbana, mas a violência se mantém na ala mais problemática exatamente pela ineficiência do próprio sistema de segurança, que surge desde a preparação de policiais, e finda na administração anêmica.
     Surgem aos milhares, projetos e seus anexos milionários, não sanar, que este seria um propósito ilusório, mas estes têm por finalidade combater em suas particularidades, a violência urbana, atingindo por tabela suas implicações. Portanto, entra em cena autoridades competentes e suas “propostas brilhantes”. Desta vez, o então vereador Celso Torquato (PSDB) demonstrou seu interesse em transformar a Guarda Municipal de Curitiba (PR) em Polícia Municipal, que na verdade, em algumas cidades, o Guarda Municipal já faz as vezes desta última. 
     A ideia é dar ao Guarda Municipal poder de fogo, porém esta proposta entra em divergência com a própria constituição que já prevê a função do Guarda Municipal restrita ao zelo do patrimônio público municipal, e que este, portanto faria parte de uma polícia meramente administrativa, isto é, sem fins de atuar como força de repressão. Assim como o vereador Celso Torquato, outros também surgem com propostas semelhantes, bem como o prefeito de São Luiz João Castelo, o vereador de Goiânia Djalma Araújo (PT), e tantos outros.
     Apesar da notável movimentação dos municípios para que se aprove a ideia, ela não está abrangendo somente a eles. No Congresso Nacional, está se discutindo uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para uma ideia bem semelhante com as demais. O intuito é dar mais poderes ao hoje Guarda Municipal, e para, além disso, criar a Guarda Nacional.
     Evidentemente é possível encontrar lugares onde já exista a Polícia Municipal, o New York City Police      Department (NYPD), é a polícia municipal de Nova York, esta é a maior a força policial municipal do mundo. A NYPD foi criada em 1845 baseando-se já em outra polícia municipal, a Metropolitan Police, em Londres. A política de funcionamento do departamento de polícia de New York é baseada em "garantir o cumprimento das leis, preservar a paz, reduzir o medo e fornecer um ambiente seguro", o que envolve a prevenção e resposta ao crime. Exatamente o que se deseja, resta saber se as polícias municipais que poderão se instaladas pelos municípios brasileiros e até mesmo o projeto de Guarda Nacional, vão atender de fato às políticas de combate ao crime, estabelecendo a ordem tão desejada, para não ser mais uma medida fracassada com gastos inúteis, enquanto o problema só avança. E você, acha que essa modalidade de segurança pode dar certo em todo o sistema brasileiro de segurança?



domingo, 10 de julho de 2011

Al Jazeera, a tv que se impõe


Sem dúvida, esta é a época dos acontecimentos marcantes, essa é a era das mudanças, dos conflitos, das uniões, evoluções, revoluções. Viver o mundo das sociedades virtuais requer compreensão em primeiro plano, e não adianta fugir destas bases de relacionamentos porque elas estão à frente de você. Essa é a vez da comunicação, que não se altera, mas que apenas lhe é acrescentado braços diversos.
As TVs funcionam assim como membros fundamentais, bem como a internet fundamentalmente neste momento, esses braços alcançam as metamorfoses diante de nossos olhos, sem nenhum remorso, utiliza-se de relógios especiais para se destacarem em meio ao mar de elementos da comunicação mundial. Para efeitos de concretude, nada mais singular que a conhecidíssima TV Al Jazeera, a maior emissora de televisão jornalística do Catar, se não for a mais reconhecida TV do Oriente Médio. A Al Jazeera tomou lugar dentre as TVs do mundo a partir do momento em que começou a cobrir as manifestações populares contra a política de guerra dos Estados Unidos, cobrindo também o 11 de Setembro, a guerra do Afeganistão (2002), a guerra do Iraque (2003) dando continuidade com os conflitos posteriores, enfim, a maioria das TVs cobriu esses mesmos conflitos, porém esta estabelecia as guerras  sob outros olhares, o que lhe conferiu uma configuração singular. Foi assim que a TV fundada por Hamad bin Khalifa Al Thani, em 1996, foi posta em negrito em todo o mundo, mas para além disso, seu brilhante ponto está no fato de ter adotado uma política de livre expressão e oposição quando fosse preciso, no mundo árabe, isso é muito relevante, haja vista a opressão que se estabelece por lá, e mesmo sofrendo inúmeros ataques às suas sedes durantes as guerras, a TV se manteve frente à censura que sofreu por todas as partes e foi premiada por sua persistência. Os mulçumanos usam a Al Jazeera para seus manifestos, além de Israel que também se utiliza do espaço. A TV é sem dúvida alguma, uma bandeira de muitas mudanças ocorridas no Oriente Médio, através dela, inúmeras manifestações ganharam visibilidade mundial, revoluções ali postas. Esta surge assim como o exemplo fiel de como um veículo de comunicação que revolucionou o pensar de muitos no Oriente Médio. De certo, ela tem sua contribuição garantida nas mudanças no mundo árabe, questões nunca antes pensadas, agora acontecem, modificando toda uma estrutura numa cultura extremamente fechada.  A questão não é meramente alterar algumas regras culturais conservadoras demais, mas abrir espaço para que o mundo tenha uma relação mais próxima com o Oriente Médio, que este próprio esteja mais em conformidade com seu tempo, para que o regime democrático seja de fato uma verdade no mundo árabe. Essa contribui para o início das profundas modificações que aconteceram e ainda vão acontecer por todo o mundo, essa é a TV que queremos, com essa força, com esses pilares de mudanças.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Para além do Art. 2° do Código Civil Brasileiro


O Direito não é uma ciência estática. Ele precisa acompanhar as evoluções da sociedade e sempre tentar aumentar o seu campo de incidência para que a injustiça não floresça indiscriminadamente.
“Personalidade jurídica, para a Teoria Geral do Direito Civil, é a aptidão genérica para titularizar direitos e contrair obrigações.” (Direito:temas e problemas Vol. I pág. 228)
Diante desta premissa, abre-se uma questão: A partir de quando se inicia de fato a personalidade civil do indivíduo sujeito de direitos? Essa problemática incrivelmente permanece, de forma paradoxal, haja vista que há um encontro de determinações, para entender o problema vamos ao Art. 2º do Código Civil. A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. Ora, tem-se aí uma discrepância evidente, posto que considerando que a personalidade jurídica é colocada a partir do nascimento com vida, poderia se excluir desta categoria, o nascituro, isto é, todo o período de vida do ser humano antes de seu nascimento. Porém o Art. 2°, que já é uma forma atualizada do Art. 4° da Constituição Federal de 1916, no sentido de atribuir direitos ao ser humano ainda no útero, e exatamente por esse motivo que se estabelece a problemática, pois segundo determinações constitucionais,  qualquer indivíduo que a ele seja atribuído direitos, este possui personalidade jurídica,leia-se o trecho:

“Limongi França, diz textualmente: Juridicamente, entram em perplexidade total aqueles que tentam afirmar a impossibilidade de atribuir capacidade ao nascituro, por este não ser pessoa. A legislação de todos os povos civilizados é a primeira a desmentir tal propósito. Não há nação que se preze (até a China) onde não se reconheça a necessidade de proteger os direitos do nascituro (Código Chinês, Art.7°). Ora, quem diz direitos, afirma capacidade. Quem afirma capacidade, reconhece personalidade.”(França, 1996, p.50).

Mas então como o nascituro pode ter direito e mesmo assim não ter personalidade jurídica? Eis a distorção, que implica em muitas outras questões na vida concreta. Porém, diz-se que há uma perspectiva de personalidade atribuída ao nascituro, isto é, como provavelmente ele irá nascer, e assim ter vida fora do útero, então é quase certo que ele terá personalidade jurídica, logo, antes de nascer, ele tem assegurado seus direitos, que mais parecem direitos futuros. Adiante se tem a polêmica questão do aborto, visto que, no Brasil, o aborto neste momento é crime, e o é, pelo fato de tal se caracterizar como um crime contra à vida, logo se o nascituro é provido do direito à vida, e a vida é direito da pessoa, portanto nesse sentido o nascituro teria  personalidade civil, já que contra este é cometido um crime. Contudo no Código Civil Brasileiro, considera-se que pessoa é todo e qualquer que tenha nascido com vida. Mas há outra questão, que impõe mais uma distorção, pois o Pacto de San José da Costa Rica (uma convenção americana sobre direitos humanos em que o Brasil é signatário) diz: Art.1°, n 2: “Para os efeitos desta Convenção, pessoa é todo ser humano”. Em prosseguimento, tem-se no inciso I, Art. 4° da mesma Convenção: “Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido por lei e, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente”. (Direito:temas e problemas Vol. I pág.235) Então de acordo com a convenção, todo e qualquer ser humano é pessoa, e em seu Art. 4° toda pessoa, isto é, todo ser humano tem o direito à vida, além de deixar bem claro que esse direito é garantido desde sua concepção, haja vista que desde esse momento já existe uma vida, dependente, mas existe. O direito à vida é defendido fundamentalmente quando se confere um aborto provocado, em que este configura-se como um legítimo crime contra esse direito fundamental. Considerando que o Brasil é signatário, isto é, ele tem o compromisso de agir de acordo com o que diz a Convenção, então em coerência com o que é colocado pela mesma, o código civil brasileiro deveria, teoricamente, onde fosse de encontro com as regras do pacto, fosse assim revogado. No entanto, na prática, aqui no Brasil, comumente não se reconhece a figura do nascituro como personalidade civil, mas sim alguns direitos, como o direito à alimentação por exemplo. Visto essas idéias um tanto divergentes no sentido prático da real figuração do nascituro, pretende-se aqui não necessariamente estabelecer o ideal, ou o mais correto sob o ponto de vista jurídico fundamentalmente, mas abrir espaço para que se discuta essa problemática, contribuindo assim,  afim de que se entenda melhor questões fundamentais que envolvam toda a sociedade, visto que a mesma dificilmente  pare para refletir sobre tal, não desconsiderando assim, uma mínima parte que envolve-se em questões de categorias semelhantes.  Abrir espaço para que se pensem questões sociais relacionadas à personalidade civil, de que forma a regra influi sobre o aborto e o que poderia mudar com uma possível descriminalização do tal, por exemplo, e talvez ainda uma possível reforma do Art.2° do Código Civil Brasileiro. Como o Direito é passível de mudanças/adaptações. Portanto, cita-se um exemplo de decisão resultado de debates sobre a prisão do fiduciante, isto é, a pessoa a quem se institui o título de devedor numa alienação fiduciária, no STF a luz do Pacto de San José da Costa Rica.

     “Para Gilmar Mendes, pautando-se sempre na obra de Peter Haberle, os tratados devem ser encarados como normas supralegais, devendo obediência à Constituição Federal, mas, quando condutores de questões relativas a direitos humanos superiores à legislação infraconstitucional.” (Direito: temas e problemas. Vol. II pág. 107)

Portanto, então por que a justiça brasileira não adota as determinações das convenções internacionais no que se refere aos direitos humanos, visto que suas características parecem tão universais?Fica o questionamento.

terça-feira, 21 de junho de 2011

América Latina, agora sem maquiagens.

" Há aqueles que creem que o destino descansa nos joelhos dos deuses, mas na verdade é que trabalha, como um desafio cadente, sobre a consciência dos homens." (Eduardo Galeano, 1971)



Estamos diante de um ícone da história, falar sobre a América Latina é denunciar os infinitos saques sofridos desde seu nascimento, quem não cessam nunca. É um verdadeiro pecado não se lembrar do holocausto vivido por Potosí (Bolívia), os milhares e milhares de nativos exterminados assim como as gotas que caem do céu, em números incontáveis. Desde o berço, nossa história foi manchada com o sangue da nossa gente. Nossa riqueza mudou de continente, a estupidez de alguns países ibéricos, tais como Portugal e mais necessariamente Espanha, levaram os latinos à miséria que ainda hoje existe e existe porque o saque continua, mas desta vez os nossos vizinhos do hemisfério norte, os Estados Unidos de América fazem às vezes dos antigos saqueadores no quesito saque em território latino, e muitas das vezes saqueiam até mesmo os próprios territórios a exemplos pode-se citar: Texas, Califórnia, Colorado, Arizona, Novo México, Nevada e Utah. Todos esses territórios pertenciam ao México, porém com total autonomia, em 1845, os EUA simplesmente anexaram esses territórios ao seu. Em cada extremidade, em todo lugar, por todo o seu vasto território, a América que conhecemos, sofreu as influências massacrantes de agentes europeus. Servimos por séculos, se há riqueza em determinados lugares, isso se deve à nossa prata, nosso ouro, nossos índios, nosso café, nossas riquezas naturais. O olho gordo e ganancioso de outros que se dizem desbravadores dos 7 mares, nos manteve no sistema agrícola combinado à servidão absoluta. O nosso tão querido Brasil participou ativamente do todo o esse processo, a exemplo temos a queda de Jânio Quadros, que foi obrigado, por militares, a renunciar à presidência. Eis sua frase de despedida: “Forças terríveis se levantaram contra mim.”
Contudo, há momentos de glória, especialmente quando se fala em Emiliano Zapata, o mexicano que lutou pela reforma agrária em 1910 contra as forças de verdadeiros ditadores, posto que ainda é preciso ir de encontro às ditaduras existentes na América Latina disfarçadas de governo do povo. 
Diante do mar de misérias alagando todo o território latino, lutas foram travadas, conquistas foram levantadas e mesmo assim a descarada exploração não se enfraqueceu, apenas mudou de face, agora, em plena década de 60, nossa América foi invadida pelos agentes mercadológicos, a contemporaneidade fez alguns ajustes e os famosos saques mudaram. Agora chegou a vez das multinacionais, que vieram pra ficar e demandar ordem comercial sobre nossa economia.
Porém os problemas são eternos, visto que nos anos 80, conhecemos a chamada “década perdida” mais um período de crise intensa. A bolha econômica transformou nosso território em quintal de recessão marcante, e hoje a coisa não é muito diferente, posto que nossos burgueses não passam de funcionários das famosas corporações estrangeiras.
Todo esse delicado organismo de acontecimentos que em sua maioria é negativo, vai se configurando em um considerável progresso, ainda que lento. Nossa história particular continua sendo formada dentro da história da humanidade. Parece que alguns aspectos estão sendo alterados, hoje em 2011, com todas as incertezas, com a legitimidade em vários de seus aspectos em crise pelo mundo inteiro, conflitos que abarcam inocentes, que também fazem história e tantos outros pilares da política econômica mundial que se movem constantemente, fazem com que as coordenadas se alterem, alteram assim os cenários e, sobretudo a política social, que dirá a Grécia e com ela toda a Europa neste momento. Considerando questões primordiais, tendências óbvias e ideologias próprias, será que o Brasil poderá ser o eixo de libertação para o progresso latino? Ou teremos árduos empecilhos?  Veja o mundo como se estivesse fora dele, perceba as mudanças, perceba a história, é fácil descobrir o futuro.



Texto referente o livro “As veias Abertas da América Latina” (Eduardo Galeno)
Análise pessoal.



sábado, 21 de maio de 2011

Intercomunicação

Não há dúvidas de que o montante de ramos de pontos de informação, dá uma sensação de rapidez ainda maior na velocidade da informação. Porém, o mais importante, se dá na observação da mudança do pensamento coletivo com tanta opção de consumo informacional. Considerando a geração da intercomunicação e sua direta influência na legitimidade política em vias gerais, uma questão de relevância notável se forma na figura da agenda midiática.
Evidentemente, qualquer unidade séria que produza informação ou a repasse, irá considerar um nível de relevância na importância das informações, isto é, na quantidade de pessoas que aquela informação irá atingir de alguma forma, mas antes disso, há outra questão com sua devida importância, de fato há um agendamento seguido pela mídia para que haja uma resposta positiva do público de um modo geral, no entanto, essa agenda seguida pela mídia, foi colocada pela mesma, com o que parece ser o mais viável, assim o cotidiano é organizado de modo que este seja coerente com a programação apresentada, então as pessoas têm a falsa sensação de consumirem o que realmente querem.
As agendas como a da política e de outras vias da sociedade, seguem evidentemente o padrão de funcionamento midiático para que se concretize sua acessibilidade ao público alvo. A falha de todo o sistema, que pode não ser necessariamente falha, mas regra, é reconhecida quando mesmo em uma plataforma de informação que parece ser mesmo infinita, há ainda informações que não chegam ao público comum. Esse parece um jogo de estratégias, onde a política e a mídia andam em alguns momentos juntos, cumprindo o que parece ser o mais interessante no tal momento.
 Mesmo parecendo um pouco distante do cidadão comum, os pontos de informação estão se modificando, ou melhor, se adequando ao que o momento comunicacional exige. A partir de estudos e como resultado as tecnologias, a intercomunicação pessoal, estabelecida principalmente na internet através de twitter, facebook e coisas do gênero, parece que essa via alternativa de troca de informação, conseguiu seu espaço aparentemente permanente, modificando e diversificando a cultura da informação, e este repentino sucesso se forma na possibilidade de mostrar de forma simples e rápida o pensamento individual, mas que também é coletivo, porém esse mesmo pensamento já foi pré-estabelecido pela própria mídia.
Pois essa aldeia de discussões é propriamente proveniente de experiências obtidas através do consumo de informações, isto é, o sujeito toma conhecimento daquela informação através de algum veículo e imediatamente põe em prática seu conhecimento a cerca do assunto com os outros que também vão discutir de alguma forma. Então fica clara, a dependência da intercomunicação contemporânea com a agenda seguida e estabelecida pelos meios de comunicação, pois com a própria internet é possível se utilizar dos aspectos programados e ao mesmo tempo colocar esses aspectos em um diálogo ou diálogos, com indivíduos na mesma condição. Porém não se deve esquecer-se do aparelho celular que age como co-contribuinte para tal processo.
Em “Anatomia do poder” (livro de John Kenneth Galbraith, 1983) mesmo não atribuindo tanto poder à mídia, o autor exemplifica o processo de transporte da notícia, da agenda aos diálogos individuais. “É fazendo referência a algum comentário da imprensa ou da televisão que se iniciam quase todas as conversas políticas; e é com o efeito de tais notícias ou análises sobre opinião pública que se preocupa uma enorme parcela das discussões políticas”. (pág. 181)
Em um determinado ponto de vista, esses meios mais populares de se comunicar, funcionam como agentes da democracia da comunicação de um modo geral, possibilitando a participação de muitos, e esse movimento parece ganhar força exatamente quando em algum momento a agenda é quebrada, de forma que, isso ocorre quando algo com sua devida importância é concretizado e colocado ao público, dessa forma, uma parcela considerável de quem faz a intercomunicação diverge para o mesmo assunto, isso é tendência, isso é natural.
Tendência também é a diversidade cada vez mais comum de opções para a comunicação direta e individual. Porém aí cabe uma importante controvérsia, ao mesmo que surgem as possibilidades na variabilidade das ferramentas comunicacionais, surgem mais e mais restrições para a expressão pública do indivíduo, afetando dessa forma, diretamente a relação de comunicação entre os usuários de alguma via midiática, mas essa é outra discussão.